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02/04/2018

O Espectro Autista - Atendimento Interdisciplinar Família, Terapia e Escola

Um pouco de história...
Em 1906, o termo “Autismo”! Já havia sido introduzido na psiquiatria por Plouller como: sinal clínico de isolamento.
Em 1943, ocorreu a 1ª definição de autismo, por Leo Kanner, como um quadro clínico, cujo transtorno ele denominou de “distúrbio autístico de contato afetivo”. Diferenciando assim o autismo de outros quadros como esquizofrenia e psicoses infantis.

Nos casos que Kanner descreveu, evidenciou:
* Inabilidade em desenvolver relacionamentos com pessoas;
* Atraso na aquisição da linguagem;
* Uso não comunicativo da linguagem após o seu desenvolvimento;
* Tendência a repetição da fala (ecolalia);
* Uso reverso de pronomes;
* Brincadeiras repetitivas e estereotipadas;
* Insistência obsessiva na manutenção da “mesmice” (rotinas rígidas e um padrão restrito de interesse peculiar);
* Falta de imaginação, ausência do jogo simbólico;
* Boa memória mecânica;
* Aparência física normal.

O autismo permanece ainda como um mistério quanto a sua origem e evolução. É com esse impenetrável que a família, escola e terapeutas se deparam todos os dias, o mesmo oscila em sua interrogação entre um “ele não quer?” ou “ele não pode?”, sendo tanto uma quanto outra hipótese inquietante.

Esperança e decepção são partes permanentes de um trabalho cujos resultados se medem “ao microscópio”, onde a noção do tempo se congela em um universo estático e fechado, em que dia após dia, o mesmo cerimonial se repete com seus rituais e suas estereotipias.

Porém é preciso saber que mesmo as crianças mais ausentes têm momentos de presença. Mesmo nesses casos extremos, elas conseguirão, através da terapia e de cuidados educativos, aprofundar suas identidades e manifestar certas capacidades de autonomia.

Desta forma, uma estimulação forte é necessária, se não quisermos que a criança regrida. É preciso acrescentar que, quanto mais jovem for à criança, menos suas defesas estão sedimentadas e maiores são as chances de ajudá-las a sair de seu marasmo interno e de construir e organizar seu aparelho psíquico e, consequentemente, sua relação com o mundo.

A dificuldade de olhar, condutas de “buscar esse olhar” vão se modificando e tornando-se mais complexas no decorrer do desenvolvimento. A mensagem corporal irá se tornar linguagem verbal, na medida que a criança ingressa num mundo simbólico.

Quando a criança autista possui enfim a capacidade de se diferenciar do outro, quando o “meu” e o “seu” começam a ter sentido, podemos esperar, nos melhores casos, o surgimento de sons e depois palavras. Palavras que podem estar ligadas a seus afetos, como: medo, raiva; e suas representações familiares como: pai, mãe, cachorro; a necessidades: fome, beber, comer. O diálogo se estabelece, mas ainda estamos muito longe daquela criança que dirá: não, sim, meu, eu.

O estabelecimento de processos de autonomia, de lógica e de simbolismo é de extrema importância: haver adquiridos os hábitos de higiene, saber se vestir e se despir sozinho, pedir, chamar, reclamar, manifestar seus desejos, sua raiva, sua tristeza e sua ternura, poder participar da vida familiar e mesmo ajudar se necessário. Por tudo isso essa trajetória merece toda nossa dedicação! Marie Dominique pensa que se a esperança de vir emergir a linguagem permanece em primeiro plano, ela não está sozinha. A autonomia é tão importante quanto, e é indispensável convencer os pais sobre isso para que eles colaborem ao máximo para a sua emergência.

Marie Dominique Amy trás a tona algo de fundamental importância: que é o trabalho de orientação de pais, conjuntamente com o tratamento do filho e a escola que vai auxiliar no desenvolvimento da criança. Orientação do que fazer e como fazer para lhe dar com o dia a dia do filho autista, como no de aprender a perceber seus progressos, avanços, que muitas vezes devem ser vistos “ao microscópio”, mas que existem ao serem percebidos, possibilitando aos pais substituírem seu desespero (o que é natural devido à situação) por uma nova perspectiva de esperança. É fundamental o papel dos pais na busca de caminhos para o autismo, será na família que os resultados terão sentido. No entanto para que este papel se concretize é preciso que se estabeleça uma aliança com os terapeutas, e com a escola.

Assim como As condutas de “buscar esse olhar” vão se modificando e tornando-se mais complexas no decorrer do desenvolvimento. A mensagem corporal irá se tornar linguagem verbal, na medida que a criança ingressa num mundo simbólico.

Não se trata de praticar um condicionamento forçado, mas, ao contrário, de estar atendo à eclosão dos desejos da criança, de partilhar com ela o prazer de um sucesso ou de uma aquisição e de fazê-lo de uma maneira tranquila e não insistente.

Sem os pais, o terapeuta e a escola o desenvolvimento não acontece, a criança necessita de ajuda e de compreensão, é preciso que eles tenham coragem de apoiar o projeto terapêutico, pelo tempo que for necessário. Todo o trabalho que é feito na terapia encontram seu eco e sua razão de ser nos locais que a criança deve viver e se desenvolver.

Os pais, os terapeutas e os professores muitas vezes por se sentirem frustrados e angustiados acabam comentando um grande erro, tentar inserir a criança em uma brincadeira. Quando o correto à se fazer com crianças com TEA é entrar na sua brincadeira, trazendo assim a criança para mais perto.

Importante ressaltar a importância do convívio no grupo escolar, conforme vão sendo inseridas no grupo as crianças não mais sentem a necessidade do suporte permanente dos adultos, mesmo esses sendo ainda muito presentes. Pouco a pouco as crianças conseguem funcionar de modo muito mais autônomo. O grupo parece funcionar como uma célula familiar, deixando o seu isolamento e fechamento e manifestando seus desejos.

Sendo assim, é importante salientar que a criança no Espectro Autista necessita muito mais do nosso olhar, é necessário que possamos investir nela permanentemente, mesmo naqueles dias mais difíceis. Lembrando que elas não têm ausência de empatia e sim excesso dela e não sabem como lidar com isto, eles não possuem falta de opções e sim dificuldades em fazer suas escolhas.

Cabe a nós ajuda-las a compreender melhor este mundo na qual estão inseridas.  

“Todos somos capazes e podemos nos desenvolver e aprender a conviver e a ser, só precisamos conhecer o caminho”.
Temple Grandin


Referências:
Nothomb Amélia- A metafísica dos tubos, 2003;
Marie Dominique Amy - A relação terapêutica – caso André p. 68 Livro: Enfrentando o Autismo, 1995

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Ana Paula Lauermann
Pedagoga/Psicopedagoga
Diretora Pedagógica
Escola Pólo Infantil 

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Fones: (51) 3022.2626 / 3084.4343

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